Entre lagartos, acácias e baobás
agenciamentos entre identidade racial e natureza em As panquecas de Mama Panya
DOI:
https://doi.org/10.22420/rde.v19i45.2795Palavras-chave:
Literatura Infantil Negra, Identidade racial, NaturezaResumo
Este artigo analisa As Panquecas de Mama Panya na perspectiva da literatura infantil negra, Educação Ambiental, Estudos Culturais e Decoloniais. A obra é investigada como espaço de circulação de saberes, afetos e sentidos, promovendo a construção de identidades raciais em diálogo com saberes ancestrais e a história. A Educação Ambiental é compreendida como prática ética e política que reconhece a interdependência entre seres humanos, mais-que-humanos e territórios. Narrativa e ilustrações funcionam como catalisadoras de aprendizagens, cooperatividade e cuidado, alinhadas às epistemologias afrodescendentes e indígenas. A obra revela a potência da literatura infantil negra e suas relações com o currículo antirracista, inspirando saberes, modos de existir, conviver e educar plurais, sensíveis e sustentáveis, em conformidade com a Lei 10.639/2003, que estabelece a obrigatoriedade do Ensino de História e Cultura Africana e Afro-brasileira.
Downloads
Referências
ALMEIDA, Dulcicléia Tavares de; COLLINGE, Márcia Denise da Rocha & SALES, Maria da Luz Lima. O direito à literatura infantil afro-brasileira: práticas de alteridade em sala de aula. In: RAYMUNDO, Giseli Valezi. Direitos humanos e educação: uma relação indissociável. Curitiba: Bagai. 2020. p. 282-293. Disponível em: <https://central3.to.gov.br/arquivo/515806/>. Acesso: 27 mar. 2024.
BRASIL, Ministério da Justiça e Cidadania. Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Secretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais. Povos e comunidades tradicionais de matriz africana: Caderno de Debates. Brasília, 2016. Disponível em: <https://bradonegro.com/content/arquivo/12122018_130326.pdf>. Acesso em: 09 mar. 2025.
BRASIL/MEC, Lei nº 10.639/03, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394/1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 12 out. 2025.
CADERNO A COR DA CULTURA. Saberes e fazeres, v. 3: modos de interagir / coordenação do projeto Ana Paula Brandão. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 2006.
CÂNDIDO, Antonio. O direito à literatura. In: LIMA, Aldo de et al. O direito à literatura. Recife: Ed. Universitária/UFPE, 2012.
CHAMBERLIN, Mary & CHAMBERLIN, Rich. As panquecas de Mama Panya. Ilustrações: Julia Cairns. Tradução: Cláudia Ribeiro Mesquita. São Paulo: SM, 2005.
COLOMER, Teresa. Andar entre livros: a leitura literária na escola. Tradução: Laura Sandroni. São Paulo. Global, 2007.
COSTA, Marisa Varrober. Currículo e política cultural. In: COSTA, Marisa Varrober (org). O Currículo nos limiares do contemporâneo. 2 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 1999. p. 37-68.
COSTA, Marisa Vorraber; SILVEIRA, Rosa Hessel & SOMMER, Luis Henrique. Estudos culturais, educação e pedagogia. Revista Brasileira de Educação. n. 23. Ago. 2003. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/rbedu/a/FPTpjZfwdKbY7qWXgBpLNCN/?format=pdf&lang=pt>. Acesso em: 05 ago. 2025. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-24782003000200004
DOMINGOS, Luis Tomas. A visão africana em relação à natureza. Anais do III Encontro Nacional do GT História das religiões e das religiosidades – ANPUH. Questões teórico-metodológicas no estudo das religiões e religiosidades. Revista Brasileira de História das Religiões. Maringá (PR) v. III, n.9, jan./2011.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia; saberes necessários à prática educativa. 74 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2022.
FREITAS, Daniela Amaral Silva. Literatura infantil dos kits de literatura afro-brasileira da PBH: um currículo para ressignificação das relações étnico-raciais? Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2014.
GOMES, Nilma Lino. Educação e Identidade Negra. Aletria: Revista de Estudos de Literatura. 2002. Disponível em: <https://periodicos.ufmg.br/index.php/aletria/article/download/17912/14702>. Acesso em: 15 ago. 2025. DOI: https://doi.org/10.17851/2317-2096.9.0.38-47
GUEDES, Kilma Cristeane Ferreira; BARBOSA, Vânia Maria Castelo & SOUZA, Renata Junqueira de. Ei, você!: protagonismo e representatividade de personagens negros(as) na literatura infantil e juvenil. Entretextos, Londrina, v. 24, n. 3, p. 23–44, 2024. DOI: 10.5433/1519-5392.2024v24n3p23-44. Disponível em: <https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/entretextos/article/view/50465>. Acesso em: 15 ago. 2025. DOI: https://doi.org/10.5433/1519-5392.2024v24n3p23-44
GUIMARÃES, Leandro Belinaso & SAMPAIO, Shaula Maíra Vicentini de. Educação ambiental nas pedagogias do presente. Em Aberto, Brasília, v. 27, n. 91, p. 123-134, jan./jun. 2014. DOI: https://doi.org/10.24109/2176-6673.emaberto.27i91.2425. DOI: https://doi.org/10.24109/2176-6673.emaberto.27i91.2492
GURGEL, Evanilson. O que faz um currículo que verte sangue?: nas entranhas de uma subjetividade zumbi. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Salvador: 2022. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/35594/1/Tese%20%5BEvanilson%20Gurgel%5D.pdf. Acesso em: 12 out. 2025.
HARAWAY, Donna. Quando as espécies se encontram. São Paulo: Ubu, 2022.
HARAWAY, Donna. Antropoceno, capitaloceno, plantationoceno, chthuluceno: fazendo parentes. ClimaCom, v. 3, n. 5, 2016. p. 139-148.
KELLNER, Douglas. Lendo imagens criticamente: em direção a uma pedagogia pósmoderna. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (Org.). Alienígenas na sala de aula: uma introdução aos estudos culturais em educação. Petrópolis: Vozes, 2013. p. 101-127.
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. 2 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista, Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
MAKNAMARA, Marlécio & MAHFOUD, Miguel. Subjetividade, crise e educação ambiental. Rev. Mal-Estar Subj. 2009, vol.9, n.1, p.251-275.
MAKNAMARA, Marlécio. Quando Artefatos Culturais fazem-se currículo e produzem sujeitos. Reflexão e Ação. Santa Cruz do Sul, v. 28, n. 1, p. 04-18, mai./ago. 2020. Disponível em: <https://www.redalyc.org/pdf/7225/722579567011.pdf>. Acesso em: 06 ago. 2025.
MAKNAMARA, Marlécio. Currículo, gênero e nordestinidade: o que ensina o forró eletrônico? Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2011.
MUNANGA, Kabengele. O mundo e a diversidade: questões em debate. Bicentenário da Independência. Estud. av. 36 (105). 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2022.36105.008. DOI: https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2022.36105.008
OLIVEIRA, Luiz Fernandes de & CANDAU, Vera Maria Ferrão. Pedagogia decolonial e educação antirracista e intercultural no Brasil. Educação em Revista. Belo Horizonte, v.26, n.0, p.15-40, abr. 2010. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/edur/a/TXxbbM6FwLJyh9G9tqvQp4v/?format=pdf&lang=pt>. Acesso em: 09 ago. 2025. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-46982010000100002
OLIVEIRA, Kiusam de. Literatura negro-brasileira do encantamento infantil e juvenil. Abatirá - Revista de Ciências Humanas e Linguagens, v. 1, n. 1, p. 03-14, 2020. Disponível em: <https://www.revistas.uneb.br/abatira/article/view/8845>. Acesso em: 09 out. 2025.
PARAÍSO, Marlucy Alves. Currículos: teorias e políticas. São Paulo: Contexto, 2023.
PAULA, Débora Campos de & MARTIELO, Renata Giovana de Almeida. Aquilombando os Valores Civilizatórios Afro-Brasileiros. CSOnline. Revista Eletrônica de Ciências Sociais, Juiz de Fora, n. 39 (2024). Disponível em: <https://periodicos.ufjf.br/index.php/csonline/article/view/46613>. Acesso em: 14 ago. 2025.
PESTANA, Cristiane Veloso de Araujo. A literatura afro-infantil: representação e representatividade. Literafro. Anais do I Encontro nacional de literatura infantil/juvenil: teorias e práticas leitoras, UERJ, 2019. Disponível em: <http://www.letras.ufmg.br/literafro/arquivos/artigos/criticas/Artigo_Cristiane_literatura_afro-infantil.pdf>. Acesso em: 15 ago. 2025.
REIGOTA, Marcos. O que é educação ambiental? Primeiros passos: 2. ed. Tauapé/SP: Brasiliense, 2009.
SAMPAIO, Shaula. Educação Ambiental e Estudos Culturais: entre rasuras e novos radicalismos. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 44, n. 4, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/2175-623689216
SANTOS, Antonio Bispo dos. Nêgo Bispo: vida, memória e aprendizado quilombola. Entrevista concedida ao canal Itaú Cultural em 15/03/2021. Disponível em: <https://www.bing.com/videos/riverview/relatedvideo?q=confluir%20segundo%20Nego%20Bispo&mid=ABDF83FCF2A87514708FABDF83FCF2A87514708F&ajaxhist=0>. Acesso em: 13. ago. 2025.
SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu/PISEAGRAMA, 2023.
SILVA, Tomaz Tadeu da. O currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.
SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 2016.
TRINDADE, Azoilda Loretto da. Valores civilizatórios afro-brasileiros na Educação Infantil. MEC. Valores afro-brasileiros na educação. In. BRASIL. MEC. Boletim, v. 22, 2005. Disponível em: <https://culturamess.files.wordpress.com/2012/01/valoresafrobrasileiros.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2025.
WALSH, Catherine. Interculturalidade e decolonialidade do poder: um pensamento e posicionamento “outro” a partir da diferença colonial. v. 5 n. 1 (2019): Revista da Faculdade de Direito de Pelotas. Disponível em: <https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/revistadireito/article/view/15002>. Acesso em: 10 mar 2025. DOI: https://doi.org/10.15210/rfdp.v5i1.15002
WALSH, Catherine. Interculturalidade crítica e pedagogia decolonial: in-surgir, re-existir e re-viver. In: CANDAU, Vera Maria. Educação intercultural na América Latina: entre concepções, tensões e propostas. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2009. p. 12-42.