Coletivo Daomé
DOI:
https://doi.org/10.22420/rde.v19i45.2692Palavras-chave:
Educação Antirracista, Coletivo de Mulheres Negras, Educação profissional e tecnológica, Histórias de vida, RacismoResumo
O artigo tem como objetivo compreender quais são os caminhos e as possibilidades para desenvolver uma proposta de educação antirracista no contexto da comunidade escolar do Centro Territorial de Educação Profissional do Sisal, na cidade de Serrinha, Bahia. Nesse sentido, destacam-se as escrevivências das mulheres que ajudaram a fundar o Coletivo Daomé, um grupo que pretendeu se destacar no contexto educacional por fomentar a educação antirracista. Nesse sentido, a pesquisa apresenta um panorama das atividades desenvolvidas pelo coletivo, incluindo oficinas, eventos e ações de conscientização, evidenciando a relevância dessas práticas na formação de um ambiente escolar mais inclusivo. Metodologicamente, elegemos as escrevivências como caminho a trilhar em virtude da escolha de fazer emergir as vozes, por muitos silenciadas, de meninas e mulheres negras radicadas no interior do nordeste brasileiro. Para tanto, foram solicitadas autobiografias para duas participantes da pesquisa, com o interesse de traçar a trajetória dessas mulheres até o momento em que as suas vidas se cruzaram em virtude de sua atuação no Coletivo Daomé. Os resultados da pesquisa indicam que a participação no Coletivo Daomé não apenas fortalece a identidade racial de suas integrantes, mas também promove um espaço de diálogo e reflexão, uma forma de aquilombamento, sobre questões de gênero e racismo, contribuindo para a construção de uma cultura escolar mais equitativa.
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