Novos documentos curriculares

uma introdução às teorias negras de currículos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22420/rde.v19i45.2806

Palavras-chave:

Currículos, Afrotopia, Currículos Afrocentrados

Resumo

Este texto emerge de pesquisas que tensionam os limites do campo curricular, propondo a abertura para outras matrizes epistêmicas. Trata-se de pensar um currículo ancorado nos princípios afropindorâmicos e na afrocentralidade em contraposição à normatividade eurocêntrica que historicamente configurou as práticas escolares. Metodologicamente, parte-se de uma reflexão teórico-analítica fundada no discurso da diferença e da diversidade, que, embora relevantes, mostraram-se insuficientes para abarcar o dinamismo das cosmopercepções negras e práticas comunitárias insurgentes. Aposta-se, política e teoricamente, em currículos afrotópicos, entendidos como espaços de conversas que ultrapassam a mera inclusão, convocando à produção de mundos em comum. Esses currículos constituem possibilidades de humanização dos/das sujeitos/as e comunidades escolares, ao afirmarem saberes, narrativas e práticas silenciadas pelo projeto colonial. O currículo afrotópico não é utópico, mas um horizonte de reexistência que reconfigura o presente e projeta futuros fieis às ancestralidades e invenções cotidianas.

 

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Biografia do Autor

Allan Carvalho Rodrigues, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutor em Educação. Professor permanente do programa de pós-graduação em Educação na Universidade Estácio de Sá e professor programa de pós-graduação em Educação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. CAPES.

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Publicado

2025-12-24

Como Citar

Rodrigues, A. C. (2025). Novos documentos curriculares: uma introdução às teorias negras de currículos. Retratos Da Escola, 19(45), 1049–1065. https://doi.org/10.22420/rde.v19i45.2806

Edição

Seção

Afrorrefenciar a Educação: negros currículos, negras didáticas, negros cotidianos