A sala de aula como espaço de pregação e racismo
análise da intervenção de agentes religiosos/as em uma escola pública
DOI:
https://doi.org/10.22420/rde.v19i45.2601Palavras-chave:
Laicidade, Racismo, EscolaResumo
Este artigo apresenta a reflexão crítica sobre uma experiência em escola pública de Rio Bonito, no Rio de Janeiro, quando a gestão escolar autorizou a entrada de agentes religiosas para palestras no Ensino Fundamental II. O objetivo é analisar os discursos proferidos por essas agentes, considerando impactos na comunidade escolar e implicações para a laicidade do Estado, a partir da transcrição e análise das falas registradas em sala de aula. Observou-se que o espaço escolar foi utilizado para disseminação de discursos associando negativamente a cor preta e positivamente a cor branca, reforçando simbolismos raciais e religiosos que funcionalizam o racismo. Isso fere o princípio constitucional do Estado Laico e reproduz exclusão e desigualdade racial na escola. Sugere-se a existência de um projeto político-religioso em curso, revelando desafios para uma educação verdadeiramente laica, antirracista e comprometida com os direitos humanos no Brasil.
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