A escola como espelho social
violências silenciosas e produção de desigualdades no cotidiano escolar moçambicano
DOI:
https://doi.org/10.22420/rde.v20i47.2932Palavras-chave:
Violência Silenciosa, Desigualdades escolares, Diversidade sociolinguísticaResumo
Este artigo analisa a escola moçambicana como espelho social, evidenciando que as desigualdades no cotidiano escolar não decorrem apenas de carências materiais ou episódios explícitos de violência, mas sobretudo de violências silenciosas simbólicas, institucionais e discursivas naturalizadas nas rotinas pedagógicas. Adotou-se uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, com recurso à observação em contexto escolar, entrevistas semiestruturadas e análise documental. Os resultados revelam processos de segregação interna, rotulação e a não visibilidade de estudantes com dificuldades, configurando microprocessos de exclusão. Evidenciam-se violências não físicas nas interacções pedagógicas, bem como desigualdades sociolinguísticas associadas à centralidade do português e clivagens ligadas ao capital tecno-cognitivo. Conclui-se que a promoção da equidade educativa em Moçambique exige deslocar o foco da mera expansão do acesso para a transformação crítica das micropráticas pedagógicas e institucionais.
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