Quem Defende a Educação Domiciliar no Brasil?
Leitura crítica da ofensiva fascistizante e da atuação da Frente Parlamentar Evangélica (2019-2022)
DOI:
https://doi.org/10.22420/rde.v19i44.2240Palavras-chave:
Educação Domiciliar, Bolsonarismo, Frente Parlamentar EvangélicaResumo
Este artigo analisa a ofensiva liberal-ultraconservadora voltada para a defesa da política de Educação Domiciliar – ED, especialmente a atuação da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional – FPE durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). Buscou-se identificar os meios utilizados por intelectuais orgânicos/as dirigentes desse segmento religioso e refletir sobre as razões pelas quais estes vêm buscando produzir profundas mudanças sobre os sentidos e as funções da instituição social família e da escola pública. A partir do arcabouço teórico de Antônio Gramsci, ancorada na concepção de Estado ampliado (integral) como ferramenta teórico-metodológica, a pesquisa concluiu que as estratégias liberais, fundamentalistas cristãs, ultraconservadoras e reacionárias defendendo a ED exprimem uma das interfaces da nova pedagogia da hegemonia evangélica com o projeto bolsonarista de fascistização, representando o alinhamento de intelectuais orgânicos e aparelhos hegemônicos dirigentes do segmento evangélico ao bolsonarismo, constituídos e constituintes do processo de fascistização no Brasil.
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