https://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/issue/feedRetratos da Escola2026-04-16T10:37:02-03:00Leda Scheibelscheibe@uol.com.brOpen Journal SystemsRevista Especializada em Educaçãohttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2967Sindicatos e organização de professores/as e crise conjuntural2026-04-10T13:33:30-03:00Pauline Lipmanplipman@uic.edu<p>Os artigos desta edição especial oferecem uma perspectiva internacional variada e matizada sobre os desafios e possibilidades do sindicalismo e da organização docente em diversos contextos globais. Em conjunto, estes artigos fornecem uma perspectiva rica sobre a complexidade da ação coletiva de professores/as em contextos políticos, econômicos e institucionais locais específicos. Há muito pouca atenção em nossos estudos acadêmicos aos sindicatos de professores/as, que são, como argumentou Lois Weiner (2012), uma das barreiras mais importantes para defender a educação pública contra o neoliberalismo; e há muito pouca atenção na literatura a professores/as como trabalhadores/as. A expressiva resposta ao chamado por artigos feito pelos/as organizadores/as Tarlau, Campos e Visagie para esta edição reflete o reconhecimento da importância desses sindicatos e a renovação de seu papel político diante dos ataques neoliberais à educação pública, em diálogo com os movimentos sociais que emergiram em todo o mundo nas últimas duas décadas.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Pauline Lipmanhttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2839Os sindicatos e as lutas globais por justiça na educação2025-12-19T20:22:56-03:00Rebecca Tarlaurtarlau@stanford.eduJavier Campos Martinezjavier.campos@uach.clAshley Visagieashley.visagie@uct.ac.za<p>Neste artigo introdutório apresentamos nove temas que permeiam os vinte e um artigos desta edição especial. Numa primeira seção, destacamos o impacto contínuo do neoliberalismo, das políticas econômicas de austeridade e da precarização do trabalho docente sobre os/as educadores/as e sua organização. Na segunda, analisamos como o contexto estatal molda o sindicalismo docente, inclusive em regimes políticos autoritários. A terceira seção examina como os sindicatos de professores/as optaram por se relacionar com o Estado. A quarta trata das estratégias de organização adotadas pelos sindicatos, incluindo o aumento do uso das redes sociais durante o pico da pandemia de Covid-19. A quinta seção trata de como e quando a organização dos/das professores/as influenciou as políticas educativas. A sexta enfoca a decepção dos/das educadores/as com seus sindicatos. A sétima seção examina as exigências de democracia direta e participativa nos sindicatos. A oitava trata das alternativas pedagógicas desenvolvidas pelos sindicatos de professores/as e da necessidade de centrar as alternativas educativas em seus movimentos sindicais. Por fim, nossa nona seção reflete sobre como os sindicatos docentes podem desempenhar um papel mais importante na produção de conhecimento acadêmico e sobre o papel dos/das pesquisadores/as que estudam esses sindicatos, mas que também estão empenhados/as em torná-los mais fortes, mais democráticos e mais justos.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Informa UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2814Depois do último ano bom2025-12-01T18:08:12-03:00Anna Traianoua.traianou@gold.ac.uk<p>Este artigo analisa desafios e dilemas dos sindicatos docentes na negociação de políticas educacionais em contextos de crise. Com atenção especial à avaliação de escolas e professores/as, o estudo enfoca as reformas da educação grega, analisando sua implementação num período prolongado de ajuste estrutural e austeridade (2010–2023). A partir de entrevistas com lideranças de sindicatos do ensino primário e secundário, discutem-se as condições em que as reformas surgiram e as respostas dos sindicatos docentes num sistema educacional em processo de transformação histórica. Argumenta-se que a crise provocou incertezas estratégicas no sindicalismo docente grego, que apesar disso conserva sua identidade como componente ativo dos movimentos por mudança educacional, defendendo o status e as condições de trabalho de seus membros. Os debates na Grécia evidenciam uma combinação de aspirações econômicas e políticas, característica dos sindicatos docentes em toda o sul da Europa.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives License - CC BY-NC-NDhttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2833Os sindicatos da educação e do trabalho de Gana unem-se a organizações da sociedade civil para enfrentar o FMI2025-12-17T13:19:22-03:00Carol Anne Spreenspreen@nyu.eduShari-Lee Carterscc9197@nyu.edu<p>Este artigo explica como uma série de greves de educadores/as em Gana, em 2022, levou a uma maior conscientização e a reivindicações de justiça tributária e remissão da dívida externa por parte de um movimento crescente de trabalhadores/as do setor público e de organizações da sociedade civil. Mapeamos como as questões e reivindicações dos sindicatos docentes e de outros/as trabalhadores/as do setor público se transformaram e se ampliaram ao longo do tempo, trazendo um novo imaginário público para criticar políticas de austeridade impulsionadas pelo FMI, construir e se conectar a campanhas globais pela remissão das dívidas e apontar novas possibilidades para geração de receitas fiscais nacionais com estabilidade no setor público. Analisamos a evolução das estratégias das greves de educadores/as e mostramos como os sindicatos estão se unindo a outras organizações da sociedade civil e grupos de pressão para enfrentar políticas governamentais de austeridade fiscal que afetam não apenas suas escolas e salas de aula, mas também suas vidas e meios de subsistência. Este estudo de caso, que descreve o que os sindicatos docentes ganeses estão fazendo para mobilizar membros a fim de aprender mais sobre e contestar políticas de austeridade, destaca a importância do conhecimento entre trabalhadores/as do setor público, sua compreensão e seu engajamento com políticas macroeconômicas governamentais, além da proposição de soluções alternativas.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 lnforma UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2834Recuperando a justiça racial e promovendo a solidariedade no movimento pela justiça educacional em Oakland2025-12-17T18:00:00-03:00Frances Free Ramosfreeramos@gmail.comNirali Janijani@hnu.edu<p>Este artigo analisa as maneiras como docentes e ativistas comunitários/as colaboraram para promover uma agenda antiprivatização no âmbito de um distrito escolar urbano. O artigo é fruto de nossos estudos relativos à privatização em Oakland, sendo um deles um estudo histórico sobre o avanço do neoliberalismo e o outro um estudo de caso (MERRIAM, 2007) sobre a mobilização de docentes e da comunidade contra a privatização e o fechamento de escolas. Com base em entrevistas com ativistas e mobilizadores/as que desempenharam papéis fundamentais, bem como na observação e na participação no movimento pela justiça na educação, descrevemos um conjunto de projetos colaborativos de educação política por meio dos quais os/as ativistas reivindicaram justiça racial como base para o fortalecimento do movimento contra a privatização. Nesses projetos, os/as ativistas chamaram a atenção para a centralidade da antinegritude no avanço da privatização e para a precariedade e descartabilidade comuns aos/às alunos/as negros/as e aos/às docentes e escolas que os/as atendiam. Com a mudança de uma visão de ‘defesa das escolas públicas’ para uma visão de ‘transformação das escolas públicas’, os/as ativistas também aumentaram a solidariedade entre os/as docentes, seu sindicato e a comunidade local. No contexto da apropriação da linguagem da justiça racial pelos/as agentes da reforma escolar, esses projetos de educação política representaram uma estratégia contra-hegemônica e de construção de poder.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Informa UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2816Discordando do quê? 2025-12-05T15:29:04-03:00Felipe Acuñafacuna@ucsh.clRocío Fernández Ugalderaf64@cam.ac.uk<p>Este artigo analisa a ruptura dentro da principal organização de professores/as do Chile provocada por um movimento dissidente durante o desenvolvimento da nova Política Nacional de Ensino – PND, que ocorreu entre os anos de 2014 e 2016. O estudo enfoca o despertar coletivo dos/das professores/as e a lógica interna das políticas docentes neoliberais. Por meio de entrevistas e análise de políticas públicas, o estudo conclui que o movimento docente dissidente deu visibilidade à exclusão das experiências dos/das docentes nas discussões sobre a PND, enfraquecendo o suposto consenso quanto ao desenvolvimento profissional docente. Entretanto, embora argumentemos que esses resultados demonstram a importância dos sindicatos docentes como atores políticos, também sugerimos que esse papel é limitado se os sindicatos não desenvolverem, além da crítica necessária, um projeto político-pedagógico compartilhado.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 lnforma UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2835Duas histórias, uma escola2025-12-18T11:32:42-03:00Amanda Pinkham-Brownpinkhambrowna22@ecu.edu<p>Este estudo narrativo analisa uma tentativa malsucedida de sindicalizar uma escola charter da zona urbana. Para investigar por que esse esforço não teve um resultado positivo, construo duas <em>histórias da escola</em> — as narrativas discursivas que cada lado contou sobre como a escola atua, a quem serve e como se insere numa disputa maior por justiça educacional, racial e econômica. Em seguida, analiso essas narrativas por meio da lente crítica do “urbanismo neoliberal” (LIPMAN, 2011) para sublinhar como a narrativa oficial da escola se baseou em estruturas neoliberais e discursos hegemônicos que, em última instância, ajudaram a diretoria a sufocar a tentativa de sindicalização, apesar do entusiasmo inicial generalizado entre os/as funcionários/as.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 lnforma UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2836A Coordenação Nacional de Docentes Forçados/as ao Regime de Contrato – NCFCT como movimento social no Marrocos2025-12-18T14:56:10-03:00Hamza R’boulhamzarboul4@gmail.com<p>Este artigo argumenta que a coordenação nacional de docentes contratados/as à força é um movimento de justiça social que vai além das demandas por melhores condições de emprego e justiça educacional por meio de escolas que as comunidades merecem, resistindo a filosofias que utilizam seu status relegado como exemplo de injustiças e hierarquias no Marrocos. Para compreender os esforços de organização dos/das educadores/as, foram feitas entrevistas aprofundadas com figuras importantes da Coordenação Nacional de Docentes Forçados/as ao Regime de Contrato – NCFCT para se desenvolver uma análise profunda sobre as razões, o funcionamento e os objetivos de seu ativismo. Também foram examinados registros públicos, incluindo comunicados à imprensa, relatórios internacionais, discursos de cidadãos/ãs e declarações de partes interessadas e acadêmicos/as para navegar pelas complexidades envolvidas na resistência de educadores/as às políticas educacionais neoliberais baseadas no mercado e seu ativismo em direção a uma sociedade mais igualitária. As conclusões revelaram que docentes mobilizaram seu ativismo para atender às complexidades políticas e socioeconômicas mais amplas do país por meio de estratégias, objetivos, demandas e formas de ativismo renovados, continuamente ajustados às pressões do Estado e às crescentes restrições à liberdade de expressão e manifestação.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 lnforma UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2817Greves docentes na Argentina, no Brasil e no México (2012–2022)2025-12-05T17:15:31-03:00Julián Gindinjgindin@id.uff.brMariano Cascomarianocasco@hotmail.comPablo Ariel Becherpabloarielbecher@gmail.com<p>O descontentamento dos/das professores/as é um objeto de pesquisa importante na literatura sobre o sindicalismo docente na América Latina. Este artigo traz uma contribuição inédita a esse tema tradicional, apresentando dados estatísticos sobre greves de professores/as do ensino fundamental e médio na Argentina, no Brasil e no México entre 2012 e 2022. Essa abordagem destaca diferenças importantes na ação grevista entre as redes pública e privada, entre docentes da rede pública em diferentes estados de cada país e entre os três países quanto aos níveis de negociação em que as greves docentes ocorrem. A partir da categoria <em>regimes de trabalho docente</em>, podemos compreender essas diferenças com consistência teórica, ressaltando o papel dos/das agentes na configuração e reconfiguração dos regimes de trabalho, a importância do controle dos empregos para a dinâmica desses regimes e sua estruturação multiescalar.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Informa UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2818O envolvimento dos sindicatos docentes na política educacional2025-12-05T18:20:22-03:00Ahmad Medadi am7838a@american.eduAmir Hossein Mahdavimahdavi@iut.ac.ir<p>Este artigo trata da influência dos sindicatos docentes iranianos nas reformas das políticas educacionais, com foco na evolução desses sindicatos nas últimas duas décadas. Nossa principal constatação é a de uma mudança no discurso e no modelo mental dos sindicatos docentes iranianos, com ênfase crescente nas mudanças das políticas educativas voltadas para qualidade e equidade. No entanto, os sindicatos ainda não tiveram sucesso na defesa de reformas educacionais, e isto se deve ao contexto político e social variável do país, aos recursos limitados e à falta de acesso a redes internacionais. Nosso estudo revelou fatores-chave que contribuíram para a mudança de atitude dos/das professores/as iranianos/as, que passaram de um sindicalismo voltado apenas ao salário e às condições de trabalho para um sindicalismo pela justiça social. Entre esses fatores estão criação de sindicatos mais includentes, descentralização e democratização das estruturas sindicais, uso das redes sociais para ampliar seu alcance e formação de coalizões com grupos pela justiça social. Apesar dos desafios, nossas conclusões sugerem que os sindicatos docentes podem desempenhar um papel crucial na defesa de reformas na educação em países que enfrentam obstáculos significativos.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Informa UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2821Quando os/as professores/as entram em greve2025-12-09T20:43:36-03:00Hania SobhySobhy@mmg.mpg.de<p>Os sindicatos desempenharam um papel decisivo na promoção da democracia e da justiça social na Tunísia. Em 2023, dois sindicatos docentes comandaram uma ‘greve silenciosa’ que durou um ano, na qual os/as professores/as se recusaram a entregar as notas dos/das alunos/as à administração. Com base em entrevistas com 60 docentes, este artigo analisa suas visões a respeito dos sindicatos e dos protestos em curso. Embora os sindicatos ainda sejam considerados os principais defensores da educação pública e as queixas sobre os salários sejam disseminadas entre os/as docentes, as opiniões sobre a participação na greve divergem conforme a percepção de oportunidade política e as diferenças nas preferências morais e políticas, em meio a uma crise política e financeira local e a pressões globais por austeridade e privatização.</p> <p> </p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Creative Commons Attribution License - CC BYhttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2822Teorizando novos potenciais para o ativismo docente2025-12-14T08:17:45-03:00Trudy Keiltrudy.keil@uregina.caPamela Osmond-Johnsonosmondjp@uregina.ca<p>Com base em teorias pós-estruturalistas, este artigo explora os discursos públicos de diversos sindicatos e grupos de ativistas docentes de base em torno dos planos de reabertura das escolas do Canadá durante a pandemia de Covid-19. Nosso objetivo é destacar como essas duas forças do ativismo docente podem se influenciar e impactar mutuamente, criando uma outra possibilidade de futuro para a resistência coletiva ao neoliberalismo na educação — um agenciamento formado pelo ativismo sindical e de base, intra-agindo, se moldando e se transformando reciprocamente.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 lnforma UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2823A mobilização dos/as educadores/as em Singapura2025-12-14T09:09:13-03:00Rita Z. Nazeer-Ikedar.nazeerikeda@kurenai.waseda.jpSarah R. Asadaasada.sarah@gmail.com<p>Este artigo investiga o caso de Singapura, onde sindicatos docentes existem, mas mobilizações da classe são raras. Questionamos por que e como a mobilização de educadores/as, guiada pelo Sindicato dos/das Professores/as de Singapura – STU (sigla em inglês), se transformou. Nossas conclusões mostram que dinâmicas históricas, políticas e socioeconômicas influenciaram esta transformação. Por mais de setenta anos, o STU foi defensor, apoiador e porta-voz de docentes de Singapura por meio do sindicalismo trabalhista, profissional e social. Argumentamos que o legado das lutas do STU — ao longo de sua relação conflituosa com o governo colonial e sua relação colaborativa com o governo local — lançou as bases para o aperfeiçoamento de professores/as e a alta qualidade da educação pela qual o país é reconhecido atualmente mundo afora. Entretanto, questões residuais relacionadas ao bem-estar docente, devidas às altas expectativas em relação aos/às professores/as e ao ensino, apontam a necessidade de revisão dessa relação entre Estado e trabalhadores/as.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Informa UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2824“Não estamos prontos/as”2025-12-14T22:05:13-03:00Sara Blacksara.black@kcl.ac.ukAshley Visagieashley.visagie@uct.ac.za<p>Este artigo reflete sobre nossa participação em duas iniciativas educacionais na pandemia da Covid-19: a Coalizão Popular nacional C19 e a Formação de Organizações Progressistas – POF (<em>Progressive Organization Formation</em>). Nossas experiências refletem um clima político mais amplo na África do Sul, no qual não há resistência organizada em grande escala no contexto da educação básica pós-1994. Utilizando o conceito de <em>interregno</em>, de Gramsci, e o de <em>crise como dispositivo</em>, de Gentili, examinamos os coletivos e suas relações de poder para questionar por que não conseguimos nos unir em esforços organizacionais legítimos e autossustentáveis, apesar das condições inviáveis da educação pública em nível básico na África do Sul. Teorizamos o dispositivo em ação como <em>resistência capturada</em> na Coalizão Popular C19, em que o processo de profissionalização e burocratização era evidente; e como <em>resistência nostálgica</em> na POF, em que a teoria da mudança entre uma vanguarda mais antiga de docentes ainda não havia levado em conta uma subjetividade política pós-apartheid nas escolas. Há um despreparo das organizações educacionais sul-africanas, tanto para responder a choques exógenos inesperados quanto para sustentar lutas prolongadas sobre qualquer questão específica. O manifesto inicial do Grupo de Trabalho da Educação Básica da Coalizão Popular C19 – <em>Não estamos prontos/as! –</em> não poderia ter sido mais irônico.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives License - CC BY-NC-NDhttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2829“Pela primeira vez estamos pedindo MAIS testes”2025-12-16T14:54:04-03:00Lauren Ware Starklaurenwstark@gmail.comRebecca Tarlaurtarlau@stanford.eduRhiannon M. Matonrhiannon.maton@cortland.edu<p>Este artigo analisa a infraestrutura organizacional do movimento pelas escolas seguras durante a pandemia de Covid-19. Com base em diversos estudos qualitativos sobre a mobilização de professores/as durante a pandemia, o artigo mostra que educadores/as dos Estados Unidos se mobilizaram por meio de diversas organizações de movimentos sociais, incluindo redes ativistas nacionais e regionais, sindicatos, comitês pela justiça social e comissões dentro das próprias escolas. Por meio dessas mobilizações, defenderam reivindicações de políticas de saúde e educação públicas mais equitativas, incluindo medidas de segurança e serviços integrados<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> de apoio aos/às estudantes. A partir da literatura sobre sindicalismo pela justiça social, cogovernança contenciosa e organização de movimentos sociais, o artigo conclui que foi graças à diversidade de estruturas organizacionais e de estratégias dentro do movimento que os/as educadores/as conseguiram promover suas reivindicações e construir poder.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Informa UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2825“Contra a imposição, defendemos a educação”2025-12-15T11:18:10-03:00Lluís Parcerisalluisparcerisa@ub.eduAntoni Vergerantoni.verger@uab.cat<p>Entre 2011 e 2015, no rastro da crise financeira global, a Espanha passou por medidas de austeridade severas que levaram à agitação social e ao surgimento de novas formas de ação coletiva. No campo educacional, sindicatos docentes e movimentos ativistas se organizaram contra as políticas neoliberais e neoconservadoras que o governo central e vários governos regionais promoviam. O caso da Assembleia Docente das Ilhas Baleares é de relevância particular, pois constituiu uma experiência de protesto altamente bem-sucedida que desencadeou uma mobilização social sem precedentes e com amplo apoio popular. Com base em teorias dos movimentos sociais e combinando entrevistas semiestruturadas com análise documental e da imprensa, este estudo conclui que a combinação entre construção de alianças, ações coletivas disruptivas e processos de enquadramento foi fundamental para explicar o sucesso da mobilização social.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Informa UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2826Conflito e desmobilização2025-12-15T13:51:23-03:00Katarzyna Rakowskak.rakowska@is.uw.edu.pl<p>Em 2019, a Polônia vivenciou uma grande greve de docentes que durou três semanas. Embora tenha tido grande impacto sobre muitos/as professores/as, a ação não alcançou nenhuma de suas reivindicações. Utilizando os conceitos de <em>poder</em> <em>associativo</em> <em>de trabalhadores/as</em> e <em>legitimidade</em> <em>sindical</em>, defendo que uma das razões da derrota foi uma crise de legitimidade dentro do principal sindicato que mobilizou a greve. Com base em entrevistas com participantes do movimento grevista, analiso as dinâmicas do poder associativo dos/das trabalhadores/as durante a paralisação decorrentes da crise de legitimidade da organização grevista, o Sindicato de Professores/as da Polônia – ZNP, em quatro áreas críticas: percepção de injustiça, percepção de eficácia, acessibilidade ao sindicato e democracia interna, antes e durante a greve; e discuto como essas percepções podem contribuir para a renovação do movimento sindical.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Informa UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2827Combater a fragmentação, cultivar a solidariedade2025-12-15T14:49:01-03:00Riley Collinsriacolli@ucsc.edu<p>Com o objetivo de explorar a interação entre a solidariedade e a fragmentação entre docentes, este artigo utiliza uma lente bifocal crítica para examinar as experiências de seis professores/as mobilizadores/as durante a pandemia. A pesquisa qualitativa se centra na experiência desses/as docentes numa análise iterativa do contexto político e pandêmico, da ação trabalhista e de sua construção discursiva de sentido. Situando suas experiências numa história sociopolítica do contexto trabalhista do Arizona, a pesquisa argumenta que a fragmentação dos/das professores/as se intensificou como resultado da resposta desigual do Estado à pandemia, minando certas possibilidades de ação interdistrital; um senso incorporado de solidariedade e força desenvolvido na participação do movimento <em>Red for Ed</em>, de 2018, se estendeu à mobilização docente na pandemia; e esse senso de força incorporado levou professores/as a se engajarem em ações trabalhistas militantes, algumas das quais levaram líderes sindicais relutantes a adotar uma postura mais de oposição. O artigo considera como os movimentos de professores/as moldam seus cenários políticos e trabalhistas, assim como são moldados por eles.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives License https://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2828Construindo solidariedade por meio da justiça social na educação2025-12-15T15:19:51-03:00Alison L. Milneralmi@ikl.aau.dkPontus Bäckströmpontus.backstrom@ju.seJohan Ernestampontus.backstrom@ju.se<p>A colaboração sindical em questões de justiça social conecta os/as trabalhadores/as entre si e às suas comunidades mais amplas e, portanto, é considerada uma estratégia de renovação sindical. Antes de sua fusão em 1º de janeiro de 2023, o Lärarförbundet (Sindicato de Professores/as) e o Lärarnas Riksförbund (Sindicato Nacional de Professores/as) colaboravam intermitentemente para desafiar as injustiças educacionais no altamente segregado mercado escolar sueco. Por meio de pesquisa documental, com o diálogo como método, este estudo de caso explora as diretrizes e dinâmicas políticas dessa colaboração entre sindicatos. Usando <em>enquadramento</em> e <em>intermediação</em> como lentes conceituais, argumentamos que os dois sindicatos colaboraram, em graus variados, predominantemente em questões políticas, profissionais e de negociação. No entanto, essas ações conjuntas foram conduzidas num contexto de declínio da filiação sindical, agendas nacionais competitivas de recrutamento e surgimento de grupos de ‘rebelião’ liderados por professores/as da base que faziam campanha pela educação pública. A solidariedade externa na organização foi, portanto, limitada pela diferenciação interorganizacional e intraprofissional e pela orientação de ambos os sindicatos para um modelo de sindicalismo de serviço. Pesquisas futuras podem explorar a complexidade da colaboração intersindical no recém-fusionado Sveriges Lärare e até que ponto o ativismo regional e alianças mais amplas com movimentos sociais poderiam promover uma agenda de organização mais democrática.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Creative Commons Attribution License - CC BYhttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2830Revitalização do sindicato dos/as professores/as por meio do sindicalismo empresarial2025-12-16T15:49:34-03:00Jaeung Kimlearning244@gmail.comJinyoung Parkjinipa2014@gmail.com<p>Este estudo examina um caso de revitalização sindical baseado no sindicalismo empresarial, contrastando com a noção predominante de que a revitalização sindical ocorre principalmente por meio do sindicalismo de movimento social. A Federação Coreana de Sindicatos de Professores (Korean Federation of Teachers Union) – KFTU foi formada em 2017 para desafiar o já estabelecido Sindicato Coreano de Professores e Trabalhadores da Educação (Korean Teachers and Education Workers Union)<em> – </em>KTU, que descrevemos como um exemplo de sindicalismo de movimento social. Criticando a estrutura organizacional centralizada e as lutas políticas radicais do KTU, a KFTU se expandiu rapidamente, absorvendo um número substancial de docentes na faixa dos 20 e 30 anos. Em 2022 a relativamente nova KFTU afirmou ter ultrapassado o KTU em número de membros. Este estudo investiga como o sindicato recém-formado, baseado no sindicalismo empresarial, surgiu e floresceu rapidamente. Para abordar a questão, esta pesquisa analisa três fatores críticos que influenciam a revitalização sindical: contexto (mudanças sociais e políticas), agentes (uma nova geração de professores/as) e estratégias (estratégias organizacionais da KFTU). Constatamos que esses três fatores interagiram de forma complexa, levando ao rápido sucesso do sindicalismo empresarial, mas ao mesmo tempo, a sustentabilidade do sindicato a longo prazo permanece em questão.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Informa UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2831Sindicatos docentes, democracia e participação2025-12-16T17:32:43-03:00Mihajla Gavinmihajla.gavin@uts.edu.au<p>Os sindicatos docentes estão trabalhando em tempos difíceis. Assim, é importante que construam poder para resistir às reformas neoliberais que têm visado reestruturar a educação escolar e enfraquecer a organização coletiva. No entanto, temos pouca compreensão do projeto de democratização em que os sindicatos docentes se engajaram para construir e renovar o poder interno nesse ambiente. Com base no estudo de caso de uma experiência bem-sucedida de democracia sindical docente na Austrália, este artigo destaca a importância de forjar estruturas e processos democráticos coordenados e liderados por membros que promovam a voz coletiva, bem como de se engajar numa renovação contínua, a fim de construir e manter o poder interno num ambiente neoliberal.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Informa UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2832Exigindo Justicia2025-12-16T19:12:16-03:00Christian A. Brachochristian.bracho@csulb.edu<p>A <em>demanda por justiça</em> é um princípio de longa data da Sección 22 do Sindicato Nacional dos/as Trabalhadores/as da Educação, que lidera, em Oaxaca, um movimento de docentes desde a década de 1970 e que evoluiu para atender as mudanças nas circunstâncias sociais, políticas e econômicas. Vários/as pesquisadores/as em todo o mundo têm cada vez mais associado noções de justiça à educação, explorando expressões como <em>educação para a justiça social</em>, <em>ensino orientado para a justiça</em>, <em>educação orientada para a justiça</em> e <em>ensino para a justiça social</em> em diversos contextos, mapeando as maneiras pelas quais educadores/as integram esses conceitos nas salas de aula e nas escolas. No entanto, falta nessa pesquisa uma análise das maneiras que permitam a docentes praticar o <em>ensino orientado para a justiça</em> também fora da sala de aula, ao participarem de movimentos e lutas. Com base em dados etnográficos coletados ao longo de um período de cinco anos e em entrevistas com 40 docentes, formadores/as de docentes, dirigentes sindicais e estagiários/as docentes, traçarei quatro <em>orientações de justiça</em> por meio das quais os/as docentes de Oaxaca exigem justiça. Os/As educadores/as da Sección 22 realizam um ensino orientado para a justiça de acordo com princípios econômicos, políticos, culturais e humanísticos, manifestando uma crença amplamente difundida em Oaxaca de que “o/a docente ao lutar também está ensinando”. Este estudo contribui para as pesquisas sobre como docentes implementam pedagogias e práticas orientadas para a justiça em todo o mundo, não apenas na sala de aula, mas também no domínio público como ativistas, agentes de movimentos sociais e membros de sindicatos.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Informa UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2837Sindicalistas, professores/as e acadêmicos/as resistindo às reformas neoliberais2025-12-19T17:15:23-03:00Dalila Andrade Oliveiradalilaufmg@yahoo.com.brMyriam Feldfeberamfeldfeber@gmail.com<p>Este artigo analisa a Rede Latino-americana de Estudos sobre Trabalho Docente, que reúne acadêmicos/as, sindicalistas e professores/as na resistência contra a globalização neoliberal, ao mesmo tempo que promove alternativas educacionais há mais de vinte anos. Utilizamos o conceito de “terceiro espaço” de Bhabha para examinar o papel da Rede na “hibridização de vários discursos e perspectivas”, a partir de documentos e materiais secundários como registros de seminários, publicações, relatórios e entrevistas com 14 membros da Rede. Organizamos o artigo em quatro seções, descrevendo seu surgimento, a ascensão das reformas educacionais neoliberais e as desigualdades educacionais na América Latina; discutimos sua expansão, a duradoura autonomia e suas contribuições para a produção de conhecimento sobre o trabalho docente na região; detalhamos suas principais características, com base nas entrevistas; e discutimos como a Rede representa uma forma organizacional inovadora, rompendo com os domínios acadêmicos, sindicais e educacionais tradicionais ao promover novas formas híbridas de conhecimentos e práticas.</p>2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Informa UK Limited, trading as Taylor & Francis Grouphttps://retratosdaescola.emnuvens.com.br/rde/article/view/2838O papel do movimento sindical para além das nossas fronteiras2025-12-19T20:00:55-03:00Heleno Araujohelenoaraujofilho@gmail.com2026-04-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 Heleno Araujo